O perigo de errar fazendo a coisa certa. Lucas 10.38-42
- Alex Lemos
- 9 de jan.
- 2 min de leitura
Em sua jornada, caminhando entre cidades e vilarejos, Jesus entra em Betânia e é recebido na casa de Marta. Esse breve relato contrasta duas posturas fundamentais diante do Salvador, revelando um perigo que ainda nos ameaça: o de errar mesmo quando tentamos fazer a coisa certa.
Maria representa a escolha pela prioridade absoluta (v. 39). Ao ver Jesus, Maria senta-se aos seus pés para ouvir o seu ensino. Ela não estava evitando o serviço. Sentar-se era a posição intencional de uma discípula diante do Mestre. Ela compreende que, naquela hora, não havia necessidade maior do que aprender dEle. Para Maria, tudo o que não era eterno tornava-se, momentaneamente, perda de tempo. Ela agarrou a oportunidade de ser instruída pelo Verbo Encarnado, escolhendo a “boa parte” — a porção essencial.
Marta representa o peso do serviço ansioso (vs. 40-41). Ela também desejava honrar Jesus com sua hospitalidade. O problema não era o serviço em si, mas foi tornar a sua atividade uma prioridade pesada e estressante. Absorvida pelos preparativos, ficou “inquieta e preocupada com muitas coisas”. Sua queixa a Jesus — “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir sozinha?” — revela um coração que, embora chamando-O de Senhor, tentava ditar as prioridades, inclusive as de Jesus. Marta elevou uma tarefa boa (servir) ao status de necessidade absoluta, gerando agitação, irritação e julgamento. Ela estava fazendo a coisa certa na hora errada e com o coração errado.
Jesus responde com afeto solene: “Marta, Marta!” (v. 42). Ele aponta a raiz do problema: a ansiedade que nasce de múltiplas preocupações. Em contraste, aponta para o remédio: “Pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa”. Esta é a declaração central. Jesus não condena o serviço, mas redefine a hierarquia: a atividade que agrada a Deus deve brotar da adoração e do ensino recebido. Maria escolheu a “boa parte”, a prioridade fundamental de estar aos pés do Mestre e alimentar-se de sua Palavra, e isso não lhe seria tirado.
Esta passagem confronta nossa tendência de substituir o ser pelo fazer, a devoção pelo ativismo. Quantas vezes nos sobrecarregamos em ministérios legítimos, mas com um coração agitado e crítico, esquecendo a “única coisa necessária”? A lição é clara: nada é mais importante do que ouvir e guardar a Palavra de Cristo. É ela que é “espírito e vida” (João 6:63). Felizes são “os que ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Lucas 11.28). Prudente é aquele “que ouve as minhas palavras e as pratica” (Mateus 7.24). O serviço frutífero e pacífico flui naturalmente de um coração que primeiro se assenta aos pés do Mestre. A prioridade que damos às palavras de Jesus, refletem o nosso amor por Ele. Em João 14.23-24, lemos: “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras...”
Portanto, como igreja, vamos ajustar as nossas prioridades. Decidamos buscar, acima de todas as boas atividades, sermos nutridos pela Palavra — nos cultos, nas saldas da Escola Bíblica Dominical, nos pequenos grupos e na devoção pessoal. Que nosso serviço seja sempre o resultado de termos escolhido, como Maria, a boa parte que jamais nos será tirada.




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